Mito 3: Ouvir efetivamente e evitar a ira são as chaves para administrar conflitos numa boa relação.
Durante várias décadas tem surgido uma variedade de livros e artigos, sugerindo que os casais empreguem o processo conhecido como “ouvir efetivamente” durante os conflitos matrimoniais. Ouvir efetivamente envolve clara identificação dos sentimentos do outro, usando palavras ternas e tentando repetir as preocupações citadas pelo parceiro em forma de paráfrase. Isso é bem similar ao que os terapeutas fazem quando escutam seus clientes. Os pesquisadores que analisaram cuidadosamente as brigas matrimoniais esperavam encontrar, nos casais bem-sucedidos, o uso regular desse conhecimento para resolver seus desentendimentos e esclarecer conflitos no casamento.
Mas não foi isso o que eles descobriram. De início, eles notaram que praticamente ninguém, na verdade, fala dessa forma no calor de uma discussão. As pessoas simplesmente não usam as palavras prescritas quando as tensões estão em alta. Ainda em raras situações, quando o fazem, não há direta influência na resolução do conflito. Nas palavras de Gottman, “isso nada prediz”. Pode ser que os casais que adotaram tal modelo terminaram esperando um tipo de perfeição no calor do conflito que simplesmente não foi realística.
O estudo, porém, indicou que ouvir efetiva e atenciosamente é valioso de muitas maneiras. Por exemplo, pode ajudar um parceiro a escutar enquanto o outro está se queixando de alguém mais (como o chefe no trabalho). Também é de muita valia numa “conversação de recuperação”, que os casais trabalhem pela restauração do relacionamento depois de uma briga. E isso pode definitivamente ajudar os casais a fortalecerem a intimidade e passarem a conhecer melhor um ao outro, quando não estão em meio a um conflito. Mas a pesquisa matrimonial mostra que, no calor de uma briga, poucas pessoas têm a capacidade de seguir as “regras” da boa comunicação. A maioria das pessoas encontra dificuldade em escutar realmente o que o parceiro está dizendo, e até mesmo os melhores comunicadores são apanhados defendendo suas próprias posições durante uma discussão. Alguma medida de paciência é requerida durante um conflito matrimonial!
Também é interessante o estudo da ira no contexto matrimonial. A ira, por si só, não foi correlacionada estatisticamente ao divórcio, mas o descaso e a atitude defensiva, sim. Casais que brigam muito não são necessariamente menos felizes do que pares que não brigam. Muitos casais que tendem a brigar também sabem como beijar e fazer as pazes. Em verdade, um certo volume de conflito e disputa foi relacionado à duradoura paixão no casamento.
Não é a ira em si que mina o casamento, mas o fracasso em resolvê-la. As pesquisas indicam que a raiva “contendora” é um problema. Muitos pesquisadores têm descoberto que tentar “jogar tudo para o alto”, descarregando sobre o cônjuge, na verdade aumenta o nível de ira e estresse para a pessoa que a expressa. E a proporção abrangente entre um enunciado positivo e um negativo feito ao parceiro pode definitivamente ajudar a predizer as probabilidades de divórcio. Os casais felizes citaram pelo menos cinco comentários positivos para cada um negativo. Um estilo conflituoso e briguento também é problema quando somente um dos cônjuges se sente confortável com esse estilo, isto é, um dos parceiros gosta de brigar e o outro se encontra emocionalmente fragilizado; o estresse pode durar horas ou mesmo dias.
A Bíblia afirma que a ira não é pecado (Efésios 4:26), mas também diz “não se ponha o sol sobre a vossa ira”. Escutar efetivamente pode ser parte do reparo de uma relação após um conflito, mas necessitaremos perdoar a nós mesmos e a nosso companheiro pelas imperfeições na maneira com que lidamos com as diferenças.
Diálogo Universitário l Série 5 minutos ( num 20 )
21 Junho 2008 às 10:53 am |
Não existe fórmula para um casamento dar certo. Meu ponto de vista em relação a isso, é que quando da certo, apenas funciona. Acredito no tal do amor. O resto é só complicação =P