As coisas não mudam muito de um lugar para outro. As experiências vividas no bairro Menino Deus em Porto Alegre podem ser as mesmas que um agricultor do Nepal vivencia. Isso porque as coisas que envolvem o cotidiano de todos no mundo, raramente mudam radicalmente. Casa, trabalho, lazer, às vezes igreja, e de volta pra casa de novo. Nesses lugares ou no caminho que os separam, pode acontecer muita coisa.
No trabalho, por exemplo, nós adventistas uma hora ou outra acabaremos testemunhando do sábado. Mais de uma vez. A reação de empregadores e colegas, variavelmente é de choque. E o custo que se paga pela sinceridade e fidelidade acaba sendo preconceito, desentendimento e dissidência.
Não só dos terceiros, os não-adventistas, mas da gente mesmo. Depois de uma reação meio atravessada, vai dizer que não emerge uma vontade de mandar a pessoa estudar Êxodo 20? Soltar um: vai ler a Bíblia, rapaz, depois vem falar comigo.
Essa semana, alguém resolveu disseminar sua opinião entre nossos colegas de trabalho de que quem não trabalha no sábado por causa de religião, é vagabundo. A pessoa continuou sua tese, mal sabe ela, nada original: aqui na Nova Zelândia, não tem essa história de sábado. Quem quer juntar dinheiro, trabalha quando tiver trabalho. Deus não se importa.
Quando ouvi isso, passei boa parte da tarde refletindo a respeito. Principalmente do conceito que essa pessoa tem de Deus. Um ser, uma entidade que se comporta como um pai relapso perante um filho manhoso. Deus mandou que eu respeitasse o dia que ele separou, mas eu não quero. Eu acho que posso fazer o que bem entender nesse dia. E só porque eu penso assim, acho que ele vai me compreender, respeitar e acima disso, me encher de privilégios. Entre eles o Céu, claro.
Pra terminar. Primeiro, por mais que as coisas pareçam difíceis, Deus vai sempre reservar trabalho, dinheiro, sustento pra quem decidir se posicionar ao seu lado na trincheira da vida. Segundo, olhar o cisco no olho alheio é distração. Eu, tu, ele e todos os pronomes pessoais dentro da igreja podem estar tropeçando na mesma pedra: a guarda do sábado. Porque guardar o sábado não se resume a não trabalhar. Terceiro, daqui a pouco vamos entrar nesse dia separado por Deus, agora, hoje, não seja um filho mimado.